Sabes como eram as escolas da Sobreda antes do 25 de abril?


A escola da Sobreda nos anos 50 e 60

 Há 80 anos atrás, as salas de aula tinham cerca de 40 alunos, sem refeitórios, sem bibliotecas, muitas vezes sem casa de banho.



Sempre que não havia alunos suficientes, eram criadas turmas mistas, mas o mais frequente eram as turmas serem apenas de raparigas ou rapazes.
Desafiamos quem nos está a ler a identificar estas pessoas da foto!

       Fotos do C.A.A.


        Encontrámos um testemunho de uma aluna que passou pelos bancos das salas de aula da Caparica e da Vila Nova, na década de 60. Esta aluna conta que nesse tempo as salas eram enormes, com três filas. As mesas eram daquelas antigas, em ferro e madeira, com os tinteiros para molhar as aparas. Na parede estava sempre presente o retrato do Salazar e o crucifixo.
A professora encontrava-se elevada no estrado e, com frequência, recorria à cana ou à régua para impor a disciplina.





Foto Casa Amadis

Devido à falta de salas de aula em número suficiente, as turmas chegavam a ter 40 alunos e a escola funcionava em regime de desdobramento, ou seja, havia uma turma de manhã e outra durante a tarde na mesma sala e, por vezes, em situações mais complicadas, chegavam a existir três turnos.
A D. Maria Alice ia a pé para a escola, entrava por volta das 9 horas e a meio da manhã ia para o recreio. À hora de almoço tinha direito à sopa numa tigela de alumínio, a uma fatia de pão e uma colher de sopa de óleo de fígado de bacalhau, “que era horrível, às vezes preferíamos nem comer a sopa, só para não tomarmos o óleo de fígado de bacalhau”.
O material resumia-se aos manuais escolares – que passavam de geração em geração - , às ardósias, papel, tinta e penas.
Por vezes tinham que levar “um tostãozinho” para a  caixa escolar, “um género de caixinha do correio” para onde eram colocadas estas poupanças para as despesas da própria escola, era com esse dinheiro que se comprava giz e o sabão, por exemplo. Para além de aprender a ler e a escrever, a escola era também um espaço de evangelização, “o padre vinha à escola para dar a doutrina”, era o mais próximo de uma atividade extracurricular que existia então. Apesar das más condições, a vontade de ensinar e de aprender era muita.

Adaptado de Almada Magazine, Abril de 2009
 por Hugo do 5º E e Daniel do 5ºF


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